Nos anos 1960, o Teatro de Arena e o Centro Popular de Cultura da UNE foram laboratórios centrais da cultura “nacional-popular”, no qual os sonhos revolucionários ganhavam gesto e forma. Neste livro, a autora analisa a gênese destes projetos culturais e valoriza a riqueza de debates no interior do CPC e da cultura de esquerda, apresentando seus dilemas principais: nacionalismo ou cosmopolitismo; expressão ou comunicação; tradição ou modernidade.
Texto de orelha
conexões entre política e cultura no Brasil dos anos 1960 são bastante conhecidas e rememoradas pela memória social. Ao longo daquela década os estudantes foram atores principais do enredo histórico. Assumindo-se como guias e parceiros do povo na caminhada revolucionária, os estudantes brasileiros acabaram por forjar uma cultura de esquerda vigorosa que, se não impediu a derrota dos projetos revolucionários, marcou a vida cultural brasileira como um todo, sendo incorporada pela própria indústria cultural, com todas as virtudes e armadilhas desse processo. O Teatro de Arena e o Centro Popular de Cultura da une foram laboratórios centrais da cultura “nacional-popular”, nos quais os sonhos revolucionários ganhavam gesto e forma.
Apesar – e por causa – da sua importância histórica, a cultura de esquerda dos anos 1960 foi objeto de ampla revisão crítica, principalmente ao longo da década de 1980, que, se teve a virtude de apontar as contradições da cultura nacional-popular de esquerda, negligenciou seus debates internos, suas obras de arte mais complexas, seus vários projetos estéticos. Neste livro, Miliandre Garcia valoriza justamente esses pontos, reunindo um amplo conjunto de fontes de época e posicionando-se de forma crítica diante da memória e das lutas ideológicas. Miliandre analisa a gênese dos projetos culturais da esquerda estudantil, valoriza a riqueza de debates no interior do cpc e termina por situar a trajetória de um dos fundadores da entidade, o artista Carlos Lyra, dentro da cultura de esquerda, tomando-o como uma síntese da arte moderna de esquerda e de seus dilemas principais: nacionalismo ou cosmopolitismo; expressão ou comunicação; tradição ou modernidade.da volume.
O leitor perceberá a obra de uma jovem historiadora que procura valorizar o detalhe informativo, a indeterminação e a pluralidade de projetos ideológicos como marcas do processo histórico. Enfim, um olhar historiográfico que procura novas maneiras de analisar a relação entre cultura e política na história do Brasil.
Marcos Napolitano - Professor do Departamento de História da USP
Sumário
Introdução
Do Arena ao CPC: disputas estéticas e ideológicas
O CPC da UNE
O manifesto do CPC: uma carta de intenções
A intelectualidade engajada como termômetro das aspirações vanguardistas dos anos 1960
A questão da cultura popular: múltiplas interpretações
Bossa nova nacionalista: referência estética e ideológica da canção engajada
Emergência e politização da bossa nova
Por detrás estava a máquina: divergências ideológicas e indústria fonográfica
A nova bossa de Nelson Lins e Barros e o sambalanço de Carlos Lyra
Samba e um pouco de política: a I Noite de Música Popular
Mais que nunca é preciso cantar: síntese e dissonância em Carlos Lyra
A análise da canção
É preciso cantar e alegrar a cidade: Carlos Lyra e o compromisso com a canção
Considerações finais
Sobre a autora
Miliandre Garcia é historiadora, com mestrado na Universidade Federal do Paraná. Tendo publicado vários artigos em revistas especializadas, a autora desenvolve atualmente pesquisa de doutorado sobre a censura teatral na ditadura militar.
Dados Técnicos
ISBN:2147483647
Páginas:160
Ano:2007
Edição:1
Idioma:portuguesa
Peso:290
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